A SÉRIE DE OMENS SOMBRIOS: CHARLATÃ OU SALVADORA EM UM CASO ASSOMBRADO?

A SÉRIE DE OMENS SOMBRIOS: CHARLATÃ OU SALVADORA EM UM CASO ASSOMBRADO?

O ar na Rua das Sombras sempre foi denso, mas nas últimas semanas, algo mais sinistro paira sobre a cidade. Um crime que desafia a lógica, uma vítima encontrada em circunstâncias impossíveis, e uma figura pública, Dona Esmeralda, cuja reputação oscila entre a ilusionista de palco e a genuína vidente. Por anos, seus “truques” foram a fonte de risadas e desconfiança. Mas agora, os sussurros que a cercam não são de zombaria, mas de um medo palpável.

O assassinato de Edgar Finch, o recluso colecionador de antiguidades, chocou a todos. A cena do crime, uma mansão impecável em uma colina isolada, apresentava um único ferimento fatal no peito de Finch, sem sinais de arrombamento, sem pegadas, e o mais perturbador: a arma do crime, uma adaga antiga de coleção, jazia a metros de distância do corpo, como se tivesse sido arremessada com uma força sobrenatural. A polícia está perplexa, circulando em um labirinto de becos sem saída e teorias sem fundamento.

É nesse vácuo de respostas que a fama de Dona Esmeralda, antes uma piada de mau gosto para muitos, começou a se transformar. Relatos fragmentados e sussurros em vielas escuras falam de visões. Não as visões performáticas de objetos perdidos que ela costumava “prever” em seus salões, mas visões de uma agonia fria, de uma presença gelada que não pertence a este mundo. Fontes não confirmadas, e que pedem anonimato absoluto, afirmam que Esmeralda tem sentido “calafrios que não são dela”, “vozes que ecoam sem som” e, o mais chocante, vislumbrado a figura translúcida de um homem com olhos que ardem de ódio, rondando a mansão de Finch.

Seria Dona Esmeralda, a outrora desacreditada médium, a única com a chave para desvendar o mistério? Relatos de testemunhas oculares, sempre céticas, narram encontros fugazes com a médium em frente à mansão, agindo com uma urgência incomum, como se estivesse em comunicação com algo invisível. Rumores dizem que ela teria revelado detalhes sobre a adaga que nem a polícia sabia, detalhes sobre uma inscrição antiga que ninguém conseguiu decifrar.

A história, no entanto, vai além de um simples assassinato. A investigação paralela de nossa reportagem, cruzando relatos e investigando arquivos esquecidos, aponta para a adaga como o cerne do problema. Uma relíquia que Finch teria adquirido recentemente, com uma história envolta em traição e morte. E a “presença” que Esmeralda sente? Uma entidade que, segundo lendas urbanas e manuscritos antigos que consultamos em bibliotecas esquecidas, busca vingança. Uma força que não responde às leis físicas, um fantasma vingativo que, segundo os poucos que ousam falar, foi despertado pela posse de seu tesouro profanado.

Dona Esmeralda nega veementemente ter “dons recém-despertados”, insistindo que sempre sentiu “a fragilidade do véu” entre os mundos. No entanto, seu comportamento mudou. A pose teatral deu lugar a uma seriedade sombria, seus olhos parecem carregar um peso novo, um conhecimento adquirido à força. Ela se vê agora como uma ponte improvável, uma médium com fama de charlatã, forçada a confrontar um inimigo que só ela parece capaz de perceber, em uma corrida contra o tempo para evitar que o fantasma vingativo de Finch, ou quem quer que seja, continue sua matança espectral. A questão que ecoa nas ruas silenciosas da cidade não é mais se Dona Esmeralda é uma fraude, mas se ela pode, de fato, deter o inferno que se esconde nas sombras.


Por: Felipe Bastos Guimarães

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